terça-feira, 14 de novembro de 2023

                                

Laize dos Santos Andrade Nogueira.

 Constituição Apostólica Mssale Roomanum.

 A Constituição Apostólica Missale Romanum , é uma constituição promulgada pelo Papa Paulo VI, que fala sobre a restauração do Missal Romano, tal como o conhecemos hoje. Foi assinada em 3 de abril de 1969, quando se celebrava a Quinta-feira Santa na Ceia do Senhor, no sexto ano de pontificado de Paulo VI.

Essa constituição foi assinada também durante o Concílio Vaticano II. Na verdade, esta constituição foi assinada devido o desejo do mesmo concílio de reformar a estrutura litúrgica do Rito romano, desejo este, manifestado através da Constituição Apostólica Sacrosanctum Concilium que fora assinada em 4 de dezembro de 1963.

 Paulo VI, na Constituição Apostólica Missale Romanum, esclarece que a renovação do Missal não é fruto de um capricho da Igreja pós-conciliar e nada tem de improvisado. Diversamente, ela foi preparada carinhosa e progressivamente, de modo particular, com o auxílio dos avanços da teologia bíblica e litúrgica. Esses e outros fatores sinalizam a assistência permanente do Espírito Santo, que, em todas as fases da história, suscita na Igreja de Cristo os sopros de renovação. Paulo VI recorda que, após o Concílio de Trento, começou-se o estudo de antigos manuscritos da Biblioteca Vaticana e de outros materiais recolhidos de vários lugares. O papa Pio V dá testemunho que esse rico documentário muito contribuiu para a revisão e renovação do Missal promulgado em 1570. Da publicação desse Missal até o Concílio Vaticano II foi descoberto e publicado um rico material de antigas fontes litúrgicas, como também foram conhecidas e estudadas antigas fórmulas litúrgicas da Igreja Oriental. Diante disso, afirma Paulo VI: “Assim muitos insistiram para que tais riquezas doutrinais e espirituais não permanecessem na obscuridade das bibliotecas, mas, pelo contrário, fossem dadas à luz, para ilustrarem e nutrirem as mentes dos cristãos” (PAULO VI, 1992, p.18).

Foram restaurados, continua a nos lembrar Paulo VI na Constituição Apostólica, alguns ritos que tinham caído em desuso na celebração da Missa e que gozaram de importância no tempo dos Padres da Igreja. Dentre os ritos restaurados, o da proclamação da Bíblia na Liturgia da Palavra é dos mais significativos e decisivos. Tratou-se de uma expressa orientação conciliar:

“Para que a mesa da Palavra de Deus seja preparada com maior abundância para os fiéis, abram-se mais largamente os tesouros da Bíblia, de modo que, dentro de certo número de anos, sejam lidas ao povo as partes mais importantes da Sagrada Escritura” (SC, 51).

 “Tudo isto foi assim ordenado para aumentar cada vez mais nos fiéis ‘a fome da Palavra de Deus’, (Am 8,11) que, sob a direção do Espírito Santo, deve levar o povo da nova Aliança à perfeita unidade da Igreja” – afirma Paulo VI.

 Aprovando as Normas Universais do Ano Liúrgico e o Nova Calendário Romano Geral.

Em vista de celebrar, de modo digno e adequado, os mistérios de Cristo, a Igreja organizou o Ano litúrgico. A esse respeito, oportunas e esclarecedoras são as palavras do Concílio Vaticano II:

“A santa mãe Igreja considera seu dever celebrar, em determinados dias do ano, a memória sagrada da obra de salvação do seu divino Esposo. Em cada semana, no dia a que chamou domingo, celebra a memória da Ressurreição do Senhor, como a celebra também uma vez no ano na Páscoa, a maior das solenidades, unida à memória da sua Paixão.

Distribui todo o mistério de Cristo pelo correr do ano, da Encarnação e Nascimento à Ascensão, ao Pentecostes, à expectativa da feliz esperança e da vinda do Senhor.

Com esta recordação dos mistérios da Redenção, a Igreja oferece aos fiéis as riquezas das obras e merecimentos do seu Senhor, a ponto de os tornar como que presentes a todo o tempo, para que os fiéis, em contato com eles, se encham de graça” (Sacrosanctum concilium (SC, 102).

O mesmo documento do Vaticano II recorda o lugar e a presença de Maria e dos santos no decorrer do Ano litúrgico. “Na celebração do ciclo anual dos mistérios de Cristo, a santa Igreja venera com especial amor, porque indissoluvelmente unida à obra de salvação do seu Filho, a Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, em quem vê e exalta o mais excelso fruto da Redenção, em quem contempla, qual imagem puríssima, o que ela, toda ela, com alegria deseja e espera ser”. (SC, 103)

A Igreja inseriu também no ciclo anual a memória dos mártires e outros santos, os quais, tendo pela graça multiforme de Deus atingido a perfeição e alcançado a salvação eterna, cantam hoje a Deus no céu o louvor perfeito e intercedem por nós.

As grandes linhas do Ano litúrgico são: O Ano litúrgico inicia com o primeiro domingo do advento e termina com a 34ª semana do tempo comum. Compõe-se de dois grandes ciclos (ciclo de Natal e ciclo de Páscoa) e do Tempo Comum. Ao longo do Ano litúrgico distribuem-se as festas dos Santos.

 

RIBEIRO Luis Fernando Santana, PUC Rio, Theologica Latino americana.

SACROSANCTUM CONCILIUM. Papa Paulo VI - Roma, 4 de Dezembro de 1963.

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